Tenho escutado por aí ainda velhos papos, mas observo novas personagens. Uma contemplação de sereias na selva de pedra de todos os dias, que me sopra uma deliciosa inspiração. Antigos porém atualmente comuns rumores, citam que a mulher que fala com liberdade sobre sexo e suas experiências é uma mulher que não se dá valor, é uma mulher que não sabe se comportar.

Que mulheres que falam palavrão, falam “como homens”.
Mulheres que falam sobre economia, política, futebol estão querendo aparecer.

E também já ouvi que mulheres que falam com naturalidade, sem receios, sobre negócios com seus chefes são atrevidas. Exigem que nós mulheres cumpramos, de salto alto, a constituição da hipocrisia. Então parece que temos que nos preocupar com tudo que sai de nossa boca, e com o que entra, afinal todos precisam fingir não saber que fazemos sexo oral também né!

A moral, vulgo cabresto é um cercadinho que ninguém fala quem inventou, mas que serve principalmente, para prender as mulheres e meninas lá, caladas e inofensivas, mas não seguras. Uma mulher confiante gera um incomodo em diversos cenários diferentes, desde numa conversa de bar, até nos planos da indústria da beleza por exemplo.

Dividir a voz com um homem num grupo e ser ouvida por mandar bem, te rende uma posição de “ela se acha”. Mas essa moça se sente viva, é só isso e tão tudo isso. Já indústria da beleza vai gastar mais dinheiro em pesquisas de consumidor para descobrir o que vender para essa mulher. Se ela não tem vergonha de sí mesma, ela não vai comprar soluções falsas para detalhes do seu corpo que alguém classificou como “defeito”.

O mercado de trabalho é um ambiente sempre desafiador e uma moça viva provavelmente vai reivindicar valor pelo seu trabalho, seja ele qual for. Conheci por essa vida profissionais inspiradoras e surpreendentes, por exemplo uma senhora cubana na casa dos 80 anos que ainda é neurologista e que ostenta uma ironia admirável, como também uma diarista nordestina que acaba que chegar ao Rio cheia de sonhos e valores fortes adquiridos através da experiência das mulheres de sua família. Esse sentimento de foda-se, quando genuíno é tão querido como o amor.

Realmente aquelas que fogem do cercadinho (lembro da caverna de Platão), encontram uma realidade ainda proibida para todas as vulvas, mas que pode lhe render uma sensação de orgasmo ao som de um violão. Porém há uma batalha diária para permanecer ai. Mesmo que nos pareça certo e natural. Uma escolha, uma moça.

O exército das pessoas de bem não toleram quem é de outro bem. As ideias deles, as vezes de forma muito sutil, apresentam uma série de “tem que” disfarçados de coisa bonita mas é cilada, gaiola. Em nossas famílias muitas vezes escutamos mais do que gostaríamos sobre coisas que ninguém entende nos almoços de domingo. Ponderamos a ideia de continuar mastigando para manter a paz, mas o custo pode ser alto. Calar asfixia.

Além disso uma boa treta diverte.

Já ouvi muitos conceitos ultrapassados sobre “oqueamulherdevefazer” e confesso que tenho preguiça. Também tenho ouvido mais homens se desconstruindo e com um papo bem mais interessante. Então esse mundo há de girar, como a roleta da telesena, para entender e receber cada vez mais dessas mulheres rodadas e vivas.

Até porque nunca ví nenhuma voltar pro cercadinho.

Uma dica: aprendam a tocar violão.