Comecei a escrever esse texto me perguntando se deveria escrever romance com R ou com r, porque a palavra é tão superestimada e francesamente elegante que me deixa insegura de estar sendo cafona ou fofa. Mas também me lembrei daquele funk assim “amor é amor e o lance é o lance”, tão grotescamente verdadeiro que me senti melhor.
Dizem que o romance está em fase terminal e apontam diversos culpados: a tecnologia, a liberdade sexual dos tempos modernos, a onda politicamente correta etc. Mas eu não acredito que o romance vai acabar, eu acho que as pessoas são exigentes e pouco atentas.
A mocinha que esperava na janela e o rapaz que apertava a “gravatinha” já se foram. RIP “gravatinha”. As relações amorosas hoje estão mais intensas e rápidas, concordo. Porém não temos mais a obrigação de comemorar bodas de “cacete” a quatro com quem não temos mais tesão.
Então que forma tem esse romance do qual as pessoas sentem saudade ou perda? Talvez não seja algo que elas consigam expressar verbalmente com exatidão, talvez seja aquela vida que se completava no simples cotidiano. A expectativa de ligar e desligar para ouvir o “alô” ou a segurança de fazer uma amizade sincera no ônibus com alguém legal de verdade. O sentimento confortável, romance da lembrança em sí.
A vida é um romance nato, pois é incerta, errante e pode ser incrível ou na pior das hipóteses termina com um drama.
Romance eu vivo hoje, todos nós, e todos os dias eu acredito. Os romances e as ciladas, estão atrelados às curvas da vida. Mas tem gente que não repara.
Romance é encantamento. Uma frase curiosa, uma cruzada de olhar numa virada desencontrada (que você até fez uma cara estranha mas conseguiu seduzir), uma palavra educada acompanhada de um sorriso, parar nua no espelho e apenas olhar demoradamente sem pensar em nada, um sentimento de gratidão que enche o peito, querer bem a alguém que você viu uma vez só, um cara barbudo com nariz interessante que te encantou, um gênio brabo que transparece na cara, uma atitude honesta, uma pessoa que sempre tem uma cara de riso ou algo que você está lembrando agora.
Romance é amplo. Não é limitado, como se acreditava, à 1 + 1 ou à procura pela metade de sei lá o quê. Não é somente sobre um outro. Não estou sendo egoísta, pelo contrário. É tão amplo que diz respeito a só você mesmo ou mais quem você quiser.
Romance é possibilidade. Se procurar o romance (sai da janela), saiba que ele se mostra insustentavelmente leve mas nos preenche com a perfeita sensação de querer mais. Ah e parece também aquele cachorro festeiro que está à espreita por um olhar, você evita mas não adianta, ele vai estar lá com aquela mesma cara de figura e você vai sorrir inevitavelmente.
Romance é bicho solto.
E no meio desses ventos marotos da rotina, que te sopram para vários destinos, você pode esbarrar num alguém.