Durante muito tempo, precisamente na infância, eu tinha pensamentos suicidas. E isso, acabava refletindo nas minhas atitudes.

Sempre fui diferente dos outros garotos da escola. Gostava das aulas de poesia do professor Benedito, enquanto os outros garotos jogavam futebol.

Procurava sentar na primeira carteira da sala de aula, por não enxergar bem e porque me sentia protegido pelos professores. Nas atividades de educação física, eu era o último a ser escolhido, o único que sobrava … aqueles dias eram agoniantes.
O Ensino fundamental foi terrível! Ainda carrego no meu peito essa dor, e angustia. Eu era apenas uma criança inocente, que sofria com as brincadeiras de mal gosto, dos outros alunos da escola.

Chegou a um ponto que, meu corpo começou a se manifestar essa tensão. Meu nariz sangrava toda vez que ficava nervoso. Certo dia, eu estava andando pelo pátio do colégio, quando quatro garotos me puxaram para o banheiro, me jogaram no chão e urinaram em mim. Na saída da escola, minha mãe estava a minha espera, ao redor todo mundo me olhando como se tivesse apanhado e eu não conseguia erguer a cabeça de tanta vergonha.
Passei por terríveis momentos onde estudei…
Uma vez, uma tal de Juliana da sexta série, inventou de fazer um jornal com “brincadeiras” entre os alunos. E adivinha? Meu nome foi o mais falado.

“- Allison você é homem ou mulher?”
“- Allison você tem vagina?”
“- Allison seu NERD! Você é retardado?”

Essas são apenas umas das muitas frases, que o povo da escola sempre utilizavam comigo. Naquele tempo, não existia o termo bullying. Sinceramente se existisse, não sei se teria coragem de falar todas essas humilhações aos professores ou para minha família. Guardei esses constrangimentos calado. E por conta disso, até hoje sofro de ansiedade. Não aquela normal, mas a que as vezes te derruba, te faz ficar trancado no quarto e sem vontade de fazer algo.

É um vazio enorme, uma angustia que faz seu coração palpitar e tua garganta secar.
Como eu superei tudo isso? Não superei. Me levantei!
No início da minha adolescência, entrei em um grupo de teatro. Com o objetivo de fazer amizades e perder um pouco a timidez. E acreditem, deu muito certo! Fiz ótimos amigos, que compartilhamos nossas descobertas, o primeiro porre, o primeiro coração partido, e as risadas eram e são constantes, pois temos esse elo até hoje.

Eu não me permiti continuar sofrendo, transformei a dor em arte.

Um recado que deixo é, não deixe a tristeza te derrubar. Saia com bons amigos, desabafe, seja o melhor amigo da sua mãe, do seu pai ou da pessoa mais próxima da sua família. Eles jamais te desapontarão. Ainda tenho alguns sintomas ruins devido ao passado, mas sou mais forte que a dor e de todas essas pessoas que me humilharão.

Somos mais forte do que pensamos! Vamos lá! Você também irá conseguir!

Transforme sua dor em arte! Escreva, dance, cante, sorria…

Faça algo que ame, coloque amor em tudo que venha fazer ♥

Se você conhece alguém que esteja calado, tristonho, mudando o comportamento, ajude!

O bullying causa suicídio.

Depoimento por: Allison Santos
#naoaosuicidio