Olá Leitorxs do meu Brasil!

Como vocês podem ver esse é um cantinho novo aqui no Mulher Magnífica e nele vamos falar sobre assuntos de mulher, ou seja, TODOS!

A proposta aqui é a gente tentar trazer pra o mundo virtual as nossas pautas do boteco, das reuniões maravilhosas, na casa daquela amiga(o) fofa(o), regadas de cerveja e música ruim da melhor qualidade!

Isso porque acreditamos que não existe assunto de mulher, já que todas as mulheres podem e devem (e já o fazem) discutir todos os assuntos do mundo. A gente pode aqui falar do lançamento daquele esmalte (com nomes bizarros) à crise política que ta rolando no Brasil, e por que não dos nossos lances amorosos, nossos tabus e angústias? O formato pode variar, desde poesia, prosa, contos, entrevistas, desabafos…enfim, tudo aquilo que nós, enquanto mulheres num mundo machista fazemos no cotidiano para enfrentar as amarras que nos são impostas!

E pra começar, escolhi uma polêmica fresquinha, que deu bugue na cabeça das manas e dos caras. Sabe aquele texto que o Gregório fez pra Clarice, em sua coluna pra Folha? Então, eu digo:

DESCULPE O TRANSTORNO, MAS PRECISAMOS FALAR SOBRE CARAS COMO O GREGÓRIO.

Antes de começar a dizer o que penso sobre isso, queria pontuar duas coisas importantes: a primeira é que nenhuma mulher deve ser colocada como incapaz perante uma situação; e a segunda é que o nome do texto de Gregório faz referência ao filme que ele e Clarice estão lançando, chamado “Desculpe o Transtorno”. Essa informação é importante pra gente pensar que talvez essa carta tenha sido escrita (em comum acordo ou não) para divulgar o filme. Mas não é disso que vou falar, então segue o bonde.

 

Muitas manas acharam lindo o texto, aliás, eu também achei lindo, mas peraí, porque é que o cara está expondo sua vida intima com sua ex-namorada numa coluna de circulação nacional (se pá internacional)? Gente, não está certo isso não, e eu vou colocar aqui uma perspectiva pra gente pensar juntxs. Quando um relacionamento acaba existe um motivo, existe alguma coisa que não estava mais funcionando.

No relacionamento em questão nós não sabemos, mas deve existir. Aí o cara, no caso Gregório, cheio de seus argumentos muito intelectualizados, num estilo “carta de amor do século XVIII”, declara toda sua vida ali, na mídia, como se Clarice tivesse sido injusta com ele, por ter terminado esse romance maravilhoso (que pelo texto parece até um romance novelesco, quase um ideal).

Sabe o que isso parece: sabe aquele seu ex-namorado que todo mundo gostava, seu pai, mãe, amigos, cachorro, papagaio, vizinho…enfim, aí o relacionamento de vocês acaba, você termina com ele por algum motivo que só pertence a vocês dois e aí no dia seguinte você tem que encarar 389 pessoas te perguntando indignadas por que você terminou com o boy, e falando que esse boy era incrível, e que nunca mais você vai arrumar um boy assim. A sensação de julgamento é horrível.

Primeiro porque você não quer sair por aí contando tudo o que levou ao fim (até porque às vezes nada levou ao fim, foi apenas a vida que andou pra rumos diferentes), e segundo porque parece que você não tem autonomia pra decidir o que você deseja pra sua vida (mesmo que seja ficar sozinha, aproveitando a si mesma, se descobrindo). Julgar uma mulher por conta de suas próprias escolhas não é só feio, é machista!!!

 

Caras como o Gregório fazem as pessoas acharem que a errada é você. O cara declara seu amor em rede nacional, fazendo todo aquele drama pelo término, e nisso tudo, quem fica com os julgamentos, são as mulheres, no caso Clarice que estava lá, curtindo a vida dela bem deboas e agora recebe não-sei-quantos-mil-tweets por dia de pedidos pra que ela volte pro Gregório. Gente para! Que coisa mais chata!

 

Não sei se esse é o caso, mas às vezes o cara é muito legal com todo mundo, do que com a própria namorada. Existem aí coisas importantes a serem consideradas, principalmente a VONTADE DA MINA.

 

Escolhi esse assunto pra inaugurar essa coluna porque a gente passa horas estudando Simone Beauvoir, horas falando de machismo no facebook, horas lendo livros e assistindo filmes sobre machismo, pra ouvir que machismo não existe, e se existe, está em casos extremos como violência física, assassinato, estupro. Machismo não são só essas demonstrações extremas, o machismo está na mídia, na TV, em casa, nos relacionamentos, no whatssap, no facebook, ou seja, em todos os lugares! O machismo é estrutural.

Quando uma mulher é exposta, mesmo que seja dessa forma romântica e bonitinha, pelo seu ex-namorado em rede nacional, é machismo, é fruto do machismo.

Então essa polêmica serve pra mostrar que às vezes, nós mulheres, reproduzimos discursos machistas sem perceber. E também pra mostrar que o julgamento é um dos recursos do machismo que mais tem o poder de nos atingir, de nos fazer sentirmos culpadas pelas nossas escolhas, por nos fazer sentirmos mal quando nos priorizamos em detrimento do namorado, marido, rolo e etc.

 

Eu queria mesmo era ter toda essa destreza na comunicação escrita que o Gregório tem, pra poder explicar, por que, mesmo sem-querer-querendo ele foi um machista, mas como as cartas do século XVIII são tediosas me contento em só falar: migo, para que ta feio.