O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) sancionou no começo deste ano, a Lei 16.384, que institui a “Semana Estadual de Prevenção e Combate à Microcefalia”, cujo projeto é de autoria do deputado estadual Lancaster (DEM).

 

A Semana Estadual de Prevenção e Combate à Microcefalia terá por objetivo conscientizar a população através de procedimentos informativos, educativos, organizativos e palestras, a fim de que a sociedade venha conhecer melhor o assunto e debater sobre iniciativas de prevenção e combate à microcefalia. O período em que as ações acontecerão será na semana do dia 18 de outubro, e integrará o Calendário Oficial do Estado.

 

“A microcefalia tornou-se um problema sério de saúde pública nos últimos anos em todo o País. A investigação sobre o aumento de casos aponta relação com o zika vírus, mas também outros fatores podem contribuir com a doença. Por isso, é extremamente importante que o Estado promova ações de conscientização sobre a microcefalia, prevenindo e combatendo as causas junto à população”, explica o deputado Lancaster (DEM).

 

A doença

Microcefalia é uma condição neurológica rara em que a cabeça e o cérebro da criança são significativamente menores do que a de outras da mesma idade e sexo. Normalmente é diagnosticada no começo da vida e é resultado do cérebro não crescer o suficiente durante a gestação ou após o nascimento.

 

Crianças com microcefalia têm problemas de desenvolvimento. Não há cura para a microcefalia, mas tratamentos realizados desde os primeiros anos melhoram o desenvolvimento e qualidade de vida. Vários fatores podem provocar a anomalia, como a má nutrição das mães, o uso de drogas e álcool durante a gravidez e doenças como rubéola e toxoplasmose.

 

O Brasil enfrenta desde 2015 um aumento considerável nos casos de microcefalia, e a investigação principal do Ministério da Saúde mantém a linha de relacionamento da doença com o zika vírus, transmitido pelo mosquito Aedes aegypti (o mesmo da dengue e chikungunya).

 

NOVOS DADOS

Desde o início de 2017 até o dia 15 de março, o Brasil teve a confirmação de 165 casos de microcefalia ou outras alterações de crescimento e desenvolvimento possivelmente relacionadas ao vírus da zika. Ao todo, houve 541 novas notificações de casos suspeitos este ano. As informações estão no boletim epidemiológico mais recente divulgado pelo Ministério da Saúde.

Segundo o documento, houve 14 confirmações de mortes fetais e neonatais ligadas ao vírus e 16 confirmações de fetos com alterações no sistema nervoso central, abortos espontâneos e natimortos relacionados à infecção em 2017. Os dados do boletim incluem casos que ainda estavam em investigação na última semana de 2016 e podem ter sido confirmados no início de 2017.

Ao todo, entre casos confirmados e em investigação, 3.165 bebês estão em monitoramento, segundo o Ministério da Saúde: 21,1% recebem cuidados em puericultura (acompanhamento do desenvolvimento), 9,7% em estimulação precoce e 16% no serviço de atenção especializada.

Do total de casos suspeitos notificados em 2017, acrescido dos casos que permaneciam em investigação no fim de 2016, o estado com maior número de ocorrências é a Bahia (636 casos), seguida por Rio de janeiro (402), São Paulo (384) e Pernambuco (315).

Segundo outro boletim divulgado anteriormente pelo Ministério da Saúde, em 2017, foram registrados 3.961 casos prováveis do vírus da zika no país, com uma taxa de incidência de 1,9 caso/100 mil habitantes. Destes, 942 (23,8%) foram confirmados.