As bilheterias de cinema registraram aumento de 6,6% neste primeiro semestre em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com a Ancine (Agência Nacional do Cinema). Foram arrecadados R$ 1,5 bilhão.

 

Entre os cinco filmes com maior bilheteria, três são protagonizados por mulheres – A Bela e a Fera (R$ 130 mi), Mulher Maravilha (R$ 101,9 mi) e Minha Mãe É Uma Peça 2 (R$ 73,4 mi), em que o ator Paulo Gustavo se traveste de mulher para retratar, de maneira bem-humorada, as agruras vividas pela sua mãe.

Paulo Gustavo de Dona Hermínia .

Para o diretor da Expocine – maior convenção do mercado cinematográfico da América Latina –, Marcelo Lima, essa busca por representar o protagonismo feminino nas telonas é fruto de uma tendência mundial de ampliar o debate em torno das causas feministas, do machismo incrustado na sociedade e da desigualdade entre gêneros, sob os mais variados aspectos.

“As mulheres, como se sabe, cada vez mais querem ser vistas como pessoas fortes e independentes e provocar a reflexão em relação ao machismo tão presente em nosso dia a dia. Têm também o desejo de discutirem sobre os diversos temas do universo feminino, num fenômeno que ganhou força com o crescimento das redes sociais. O mercado audiovisual percebeu este movimento e o público tem respondido de maneira positiva”, afirma Lima.

Prova disso, segundo ele, foi a própria escolha da atriz Emma Watson, reconhecida por sua luta pelas causas feministas, para estrelar o clássico A Bela e a Fera.

Emma interpretou uma bela mais forte e conquistou o coração de todos.

Outro acerto cirúrgico da indústria cinematográfica neste sentido, na sua avaliação, foi apostar num filme de super-herói protagonizado por uma atriz neste momento em que crescem as discussões sobre o papel das mulheres na sociedade.

Gal Gadot interpretou Diana nas telonas.

“Os filmes de heróis são quase sempre sucesso garantido e não foi à toa que escolheram lançar agora a Mulher Maravilha, como forma de fomentar o desejo do público em ver essas superproduções no cinema e de representar o protagonismo da mulher”, afirma Marcelo Lima.

 

Sem Os Dez Mandamentos, público cai

Sem o fenômeno Os Dez Mandamentos, que vendeu mais de 11 milhões de ingressos no começo do ano passado, o público que foi aos cinemas diminuiu 1,7% no primeiro semestre de 2017, em comparação com o mesmo período de 2016, num total de 100 milhões de espectadores.

Em compensação, foram lançados 78 filmes brasileiros, ante a 68 no mesmo período do ano passado. Os títulos estrangeiros, porém, têm participação de 86,6% no total da renda, contra 13,4% dos nacionais.

“Este resultado poderia ser ainda melhor caso houvesse mais salas de cinema no país. O mercado tem totais condições de crescer em número de espectadores, inclusive nos filmes nacionais, mas a recessão enfrentada pelos shoppings tem prejudicado a construção de novas salas”, explica o diretor da Expocine.

Segundo ele, o mercado cinematográfico, historicamente, apresenta resultados positivos em período de crise. No ano passado, por exemplo, no auge da crise político-econômica, a renda dos cinemas cresceu 10% em relação a 2015.

“Com a diminuição da renda e as incertezas diante do emprego, as pessoas deixam de fazer grandes dívidas como a reforma da casa, o financiamento do carro ou viagens caras, e acabam empregando esse dinheiro em diversões mais baratas como o cinema”, argumenta Lima.

 

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