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Comecei escrever aos 14 anos por necessidade de me expressar, eu não podia e nem tinha com quem falar o que estava me tirando o sono, com 14 anos eu beijei a primeira menina, era minha amiga, falávamos sobre homossexualidade e decidimos experimentar, um desejo reprimido que já vinha um tempo, enfim, ficamos, foi como nos descobrimos, porém eu me afastei dela, eu não conseguia me olhar no espelho, eu não aceitava que aquilo tinha acontecido e que eu tinha gostado. O que eu poderia fazer com tudo aquilo que eu estava sentindo? Eu escrevi, e foi libertador, e esporadicamente eu escrevia sobre meus desejos.

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Aos 17 anos me assumi lésbica em casa, foi horrível, mas eu precisava, eu trocava o gênero da garota que eu gostava, eu trocava o nome, eu tinha pôsteres do bruno Gagliasso e do Felipe Dylon em casa para disfarçar, eu mentia quando saia, com 17 anos eu mentia, e isso me perturbava, até que eu não podia mais esconder quem eu era, na escola sabiam, meus amigos próximos sabiam, e a qualquer momento meus pais poderiam saber pela boca dos outros e eu não queria que isso acontecesse. Quando contei pra minha mãe ela na verdade já sabia, e ela chorou por dias, meu pai me bateu, e eu vivi por 4 anos sem ser aceita dentro de casa.

Aos 19 anos eu fui numa festa, era uma festa de um menino gay que eu conhecia, mas tinham héteros lá, e um cara veio me beijar e eu disse não, aquela noite foi a pior noite da minha vida, ele não aceitou não como resposta e fez a força, parece coisa de seriado, mas eu fui drogada aquela noite, e acordei com ele em cima de mim, e eu sem roupa e comecei a gritar, até que vieram me socorrer.

Quando me assumi, escrevi muito, mas após o estupro eu me isolei de tudo e todos, eu me odiava, eu me culpava, eu tinha nojo de mim, e minha única saída era a escrita. A escrita me salvou e me salva todos os dias.

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Aos 28 anos eu lanço meu primeiro livro, “pensamentos desalinhados” que conta com 50 crônicas sobre a vida, amores e desamores, saudades, perda, aceitação, dificuldades e etc. hoje eu entendo que eu não sou culpada, eu fui mais uma vitima, com alguns acontecimentos como esse que eu relatei, e vivi um relacionamento abusivo do qual eu achava que era perfeito, eu me tornei uma mulher feminista, me tornei uma mulher que ainda tem muitos sonhos na vida, uma mulher que bate no peito ao dizer “sou sapatão”, e ser sapatão, sair de mãos dadas com outra mulher na rua é um ato político.

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Eu sei que eu não posso mudar o mundo, mas tento mudar todos os dias o meu mundo, tento ser sempre alguém melhor para mim e para aqueles que me rodeiam, eu vivo de amor e esperança.

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